A minha epópeia particular, ou o primeiro dia em Coimbra

Bom, já estou aqui em Coimbra à 10 dias e fico confusa, pois tem horas que sinto que estou aqui há muito tempo (principalmente quando ainda estava procurando casa), mas há momentos que parece que acabei de chegar e estou sempre me surpreendendo com a beleza da paisagem desta cidade, mesmo que tenha passado em determinada rua várias vezes, de repente surge algo que nunca havia visto antes.

Mas, enquanto agora está tudo belo e divertido, tive meu dia infeliz e foi justo na chegada.

A minha viagem de avião foi muito boa (pra quem não sabe o meu vôo teve overbook e eu fui transferida pra classe executiva sem pagar nada extra), mas em Portugal tudo mudou, no aeroporto comecei a me desesperar, pois a mala de todo mundo chegava, exceto a minha, quando eu estava pra procurar o Achados e Perdidos minha mala surge linda e vermelha na esteira, ufa.

Feliz e contente na classe executiva

Peguei um táxi no aeroporto pra me levar até a estação ferroviária do Porto para eu seguir à Coimbra. O motorista queria me levar direto pra Coimbra cobrando a bagatela de 120 euros, que eu disse não possuir, “tudo bem” ele disse e ficou acertado dele me deixar na estação, mas o espertinho do taxista me levou pro lugar errado e tive que pagar mais pra ir pro lugar correto, tudo bem. No final gastei a pequena fortuna de 25 euros numa corrida de táxi, já fiquei estressada.

Na estação comprei o bilhete do trem e voltei ao balcão de atendimento umas mil vezes até tirar todas as dúvidas, com um pouco de dificuldade encontrei a estação do meu trem e esperei até ele chegar. Quando chegou o responsável pelo trem muito gentil (não!), me explicou como funcionava para embarcar.

Eu arrastei minha mala até o vagão que eu entendi ser o meu, e morri pra levantar ela pelos degraus (acho que era um ou dois) pra entrar no trem, com muita dificuldade fui empurrando as malas, uma na minha frente e puxando a outra por trás pelo corredor de 60cm do trem. Pra alegrar meu dia meu vagão era o último, apesar da minha poltrona ser a número 12, me arrastei por vários vagões com minhas malas pesadas batendo em todos os bancos e travando em todo e qualquer lugar que fosse possível.

Encontrei minha cadeira e chorei. Cansada, com os braços doloridos e um pouco de fome fiquei observando a paisagem correr pela janela. O comboio (trem) parou em Coimbra B e lá eu precisava pegar a “conexão” pra Coimbra A, que fica no centro da cidade, sai arrastando o meu fardo pelo trem e quando finalmente cheguei à porta ela fechou, o responsável pelo trem abriu a porta mas, não sem antes me dar um sermão dizendo que eu devia ter saído antes e isso e aquilo, eu pedi pra ele por favor me ajudar com as malas, muito educadamente ele pegou minha mala de mão (onde estava guardado meu notebook) e muito carinhosamente jogou na estação.

Quando consegui sair do comboio só sentei no chão botei a mão no rosto e chorei, esgotada como eu estava, tudo que eu não precisava era da boa e velha grosseria portuguesa, só conseguia pensar “Meus Deus, o que eu tô fazendo aqui, não sei nem pra onde ir”, graças a Deus, nem todo português é grosso e um funcionário da estação que desci foi me ajudar, perguntou porque eu estava chorando e me ajudou a ir para o lugar certo, onde eu deveria pegar o trem pra Coimbra A, agradeci, porque eu não estava entendendo nada da sinalização e esperei pelo trem, quando ele chegou parecia um trem de terror, entrei e percebi que só existia uma única alma viva no vagão, eu.

Desesperada, comecei a bater na porta do trem pedindo pra sair, mas era tarde e ele começou a se mover, não havia nada a fazer, sentei e esperei. Na primeira parada perguntei “Aqui é Coimbra A?”, e a única pessoa que estava lá (um jovem que ia embarcar no trem que eu estava) disse que sim, ele me ajudou a tirar a mala do trem e eu descobri uma escada escrota pra descer da estação. A maior alegria do dia foi quando eu vi que pra chegar ao hotel era necessário apenas atravessar a rua, foi um alívio chegar à recepção, e tive mais uma explosão de choro quando entrei no quarto.

Tudo que eu queria era ligar pra minha mãe, mas por 2 euros o minutos me dei conta que teria que enfrentar aquela situação sozinha. Sim, eu estava em outro continente sem ninguém para me apoiar. E assim foi o meu primeiro dia em Coimbra (ou primeira noite, já que cheguei ás 20:00 horas).

Antes que alguém venha com “Ain Priscila, e por que você enxerida viajou sozinha??”,  bom a minha resposta pra isso não pode ser publicada neste blog, pois esta é uma página respeitável, mas eu não fui enxerida, simplesmente o visto da minha amiga atrasou e eu não tinha condições ($$$) de adiar a minha passagem, o custo foi passar por esse dia.

Beijos e até o próximo post.

*Obs: Por motivos óbvios, não tenho fotos do primeiro dia. :P

4 Respostas para “A minha epópeia particular, ou o primeiro dia em Coimbra”

  1. Catha Muller Disse:

    A mamãe me contou da sua saga na chegada. Mas graças a Deus deu tudo certo e agora vc ja está com as meninas e em casa. Continua atualizando, que todo dia eu venho ler as atualizaçoes e posta as fotos tiradas da sua ultra-mega-super máquina. hehehhe. bjus…te amo

  2. Catha Muller Disse:

    Mamãe agora ta super internauta, chego lá em casa, ela já sabe de tudo, já leu todos os faces e todos os blogs. E tudo do facebook do papai. hehehe…Né maaaeee….que ela bem vai ler aqui. rsrsrs

  3. Mamãe Rosário Disse:

    Bisbilhoto mesmo…..

  4. salomè Disse:

    Oh, pequeninha Pri ç_ç
    Mas fazer as viagens sozinhas é uma coisa boa agora vc pode lembrar o seu primeiro dia e dizer: ok, nao foi o melhor dia da minha vida, mas eu consegui fazer isto, é uma coisa mais que foi capaz de fazer, posso melhorar sempre, agora com certeza posso fazer coisas maiores!

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