Nada como um dia após o outro.

No meu segundo dia acordei com olhos de Keroppi e decidi que havia chorado o suficiente, empinei meu nariz e fui me arrumar para o novo dia que começava, decidida a ter um bom dia.

Olhos de Keroppi!

Tomei meu café da manhã no hotel e fui ao SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), meio perdida perguntei a um senhor idoso onde ficava, ele muito gentil não só me levou até o prédio, como me acompanhou até chegar à mesa correta, achei muito simpático e fiquei agradecida.

A senhora que me atendeu também foi muito educada e gentil, inclusive me elogiou por ter procurado logo o SEF, pois quem vem à Portugal pela Espanha tem apenas 3 dias pra se apresentar. Ela me explicou tudo que eu precisava e de lá segui pra o DRI, mais uma vez conheci uma pessoa simpática que pagou minha passagem de autocarro e ainda me ajudou a encontrar o prédio.

Quando entrei vi vários jovens e um rapaz que veio no mesmo avião que eu desde Recife, eu não acreditei, na hora pensei “não acredito, eu podia ter tido uma companhia essa viagem inteira”e sem perceber eu já estava falando “Ei, você veio comigo desde Recife!!”, o rapaz concordou e de repente todo mundo que estava lá começou a conversar, dizer seu curso etc e tal.

Junto com eles tinha uma menina, chamada Aline, ela já tinha casa e no lugar que ela estava morando tinham 2 quartos vagos, eu prontamente pedi pra ir lá com ela, ver o lugar.

Acabamos sendo atendidas na DRI ao mesmo tempo e de lá seguimos para o Alex Bar onde ela ia fazer a carteirinha de Erasmus, aproveitei e fiz a minha. Essa carteirinha dá vários descontos em vários lugares, junto com ela vem um chip da vodafone gratuito. Detalhe, esse bar é como se fosse uma associação de estudantes, eles fazem vários eventos, é bem organizado.

Lá encontramos os irmãos que estavam antes no DRI, eles seguiram junto conosco pra olhar a casa da Aline. Confesso que a principio pensei “poutz, concorrência pro quarto”, mas conhecer eles foi a melhor coisa que podia ter acontecido. Primeiro porque eu estava super tensa procurando casa, segundo porque a Isabella estava na mesma situação, logo uma confortou a outra.

Subindo as ladeiras pra casa da Aline.

A casa da Aline parecia uma casa de bonecas, linda! Ainda tinha um cachorro grande, manso e cheiroso, era o lugar ideal, o que minha mente imaginava sobre uma “típica casa portuguesa”, mas os dois quartos que tinham estavam reservados e a dona só teria resposta no dia 18, eu precisava sair do hotel o mais rápido possível, fiquei triste. Dava certinho pra mim e pra minha amiga que estava pra chegar, mas a Isabella não podia nem ter esperança, lá só alugavam para um ano.

Combinamos que no outro dia íamos atrás de casa juntas, mas quando liguei pra Isabella o telemóvel dela não estava funcionando. “Putz, e agora?” Depois de muito pensar, resolvi ser ‘cara de pau’ e fui ao hotel deles ver se ela ainda estava lá, encontrei com o irmão dela na porta, mas ela já havia saído, pois o telefone dela não estava funcionando e ela precisava conserta-lo. Decidi que ia tentar resolver alguma coisa e fui ao Alex Bar fazer não lembro o quê. Cheguei lá, estava fechado.

O Alex Bar

Voltei pro hotel a pé, procurando anúncio de arrendamento, nesta altura eu já havia separado alguns no jornal, pra ligar. Peguei alguma coisa que havia esquecido e fui novamente ao hotel dos meus novos amigos (eu havia combinado ir lá ás 13:00). Almoçamos e começamos a sessão de tortura, ligar pros números que haviamos coletado.

Do nada, a Isabella lembrou de um senhor, o Gonçalo que era amigo do irmão dela (ou amigo da namorada do irmão dela.. algo assim), ligamos pra ele e combinamos de ver o apartamento.

Não dá p/ entender na foto, mas esse foi o momento "Mil ligações"

Ficamos felizes e pulantes, dizendo “é esse”, “viva”, principalmente porque era o primeiro apartamento que tinha o maravilhoso número mágico de quartos vagos, três.

Encontramos o senhor Gonçalo (que na verdade é um homem de 30 e poucos anos) conversamos um pouco com ele e fomos ficando cada vez mais felizes, ele super massa, prestativo e tudo mais.

Quando chegamos ao apartamento, a sensação foi de balde de água fria, o lugar tava um horror, sujo, bagunçado, nojento. Eu não queria ficar ali.

Fui triste pro hotel, sem saber o que fazer. Próximo ao anoitecer, ligamos pro Gonçalo e perguntamos se podiamos ficar lá por um mês de teste, pra “ver se gostavamos mesmo do lugar”, ele explicou que um mês não dava, pois ele está indo ao Brasil e precisava resolver isso antes de ir pra lá. Mas, mostrando mais uma vez ser uma pessoa ímpar, ele disse que podiamos ficar no apto por uma semana, pagando 50 euros, uma pechincha, mais barato que um albergue. Aceitamos.

Na dia seguinte saímos cedo do hotel  e ficamos de molho na porta do prédio. Ninguém nos atendia. O Hamilton foi conosco (ele havia chegado no dia anterior!) e nos ajudou com nossas malas gigantes. Tiramos foto, sentamos, conversamos até que finalmente o Gonçalo abriu a porta pra gente.

"Será que ele esqueceu da gente?"

Resolvemos começar a limpar imediatamente e foi quando percebemos que a casa estava muito mais suja do que esperavamos, paramos e saímos pra buscar a minha amiga que ia chegar nesse dia, a Catti.

Nesse meio tempo, conforme as camadas de sujeira iam sendo retirada nós íamos nos apaixonando mais e mais pelo lugar, a vista linda, os ambientes espaçosos sem contar a sala de tv, cheia de filmes e livros. Decidimos, íamos nos instalar permanentemente.

Buscamos a Catti e depois de um tour pelo apartamento ela concordou em ficar conosco. Continuamos a faxina, saímos pra comprar mais produto de limpeza, voltamos pra casa e de repente era meia-noite. Tentamos ligar pra uma pizzaria mas ninguém entregava na nossa freguesia.

Só pra vocês terem uma noção do quão tenso estava a sujeira no apê, eu quase vômitei umas 3 vezes. Ninguém tinha coragem de “usar” a casa do jeito que estava. O banheiro e a cozinha foram literalmente escaldados. Hoje eu penso que o brasileiro mais bagunceiro (oi!) é maníaco por limpeza perto de qualquer europeu.

Uma pequena amostra da sujeira!

Nesse dia dormimos com fome, mas muito felizes, pois finalmente tinhamos um lugar para morar.

Essa vista faz toda faxina no apto valer a pena! E o cheiro? Maravilhoooso, principalmente de manhã :D

O post de hoje ficou meio grande, mas espero que tenham gostado.

Beijos e até o próximo.

8 Respostas para “Nada como um dia após o outro.”

  1. Catha Muller Disse:

    ah tahh!! Agora simmmm!! =) … mas é de post grande mesmo que eu gosto. e cheio de detalhes. rsrsrs.
    Mamae disse que nessa casa que vcs estao tinha mais 2 portugueses, nao entendi, eles moravam la com toda essa sujeira??????

  2. olhadajanela Disse:

    Moravam, e ainda usavam as coisas, tinha comida na geladeira que estava fedendo a esgoto!!!

  3. Catha Muller Disse:

    Credooo!!! Que nojo!! Podree!!

  4. imigrantimcuimbra Disse:

    “Confesso que a principio pensei ´poutz, concorrência pro quarto´”! Hahaha muito bom! Que bom que depois deu tudo certo! :)

  5. Ingrid Cavalcante Disse:

    “Moravam, e ainda usavam as coisas, tinha comida na geladeira que estava fedendo a esgoto!!!” menina… que nojo!!

  6. Mamãe Rosário Disse:

    Humm se incomodou com a sujeira, isso porque a mamãe é chata…
    esse blog tá muito devagar, tem que dar uma acelerada…rsrsrs hehe

  7. Jo Disse:

    Pri, to acompanhando tudo! ;D

    Sinto falta de vcs e da Sabrininha! eu me conformo com o tempo
    kkkk

    beijoo

  8. Cora Rufino Disse:

    Orgulho de vc, querida!

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